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Segunda-feira, Dezembro 27, 2004
Posted
11:05 PM
by MARCELO MIRANDA
SOB O DOMÍNIO DO MAL
The Manchurian candidate (EUA, 2004)
Direção: Jonathan Demme
Um pecado: não vi o filme original do grande John Frankenheimer que originou esta refilmagem com Denzel Washington. Pura falta de oportunidade, mas prometo que em breve cubro esse buraco. Enquanto isso, fico com a nova versão de um thriller político-paranóico que usa de gancho a neurose urbana dos EUA no pós-11 de setembro.
O que mais me chamou atenção no filme é o clima de pesadelo, inserindo o protagonista num mundo de conspirações e tramóias das mais inacreditáveis. Apesar disso, como bem comentou meu amigo Ronaldo Gazolla (também palpiteiro do Cinefilia), esse tipo de história não funciona muito bem. Talvez pela inverossimilhança, talvez pelos desdobramentos fantásticos ao extremo.
Confesso que me diverti com as agruras de Washington (sempre um ator sensacional) e com os tormentos de Liev Schreiber, no papel do candidato. Mas o filme não se aprofunda nas reais motivações de uma situação como aquela. Tudo torna-se apenas um joguinho de poder e ambição pessoal, um papo furado de "salvador da nação" e "protetor deste lindo país que é a América".
O aspecto mais interessante é a desmistificação do herói. Lembrei-me, a certo ponto, do clássico de Ford O homem que matou o facínora, nessa discussão sobre a imagem que se cria daqueles considerados vitoriosos e prestigiados. Isso, sim, talvez servisse de boa alfinetada no atual governo americano, caso o filme aprofundasse essa noção de uma guerra/batalha cuja derrota é iminente antes de começar, mas as "maquiagens" fazem de tudo para mostrar o contrário. Sob o domínio do mal arranha esse aspecto, mas o abandona no meio do caminho, tornando-se simplesmente um suspense já conhecido de golpes de Estado e trapaças federais.
Talvez o original, com Frank Sinatra no papel principal e tendo o comunismo de pano de fundo, seja mais incisivo. Vamos ver.
Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
Posted
2:06 AM
by MARCELO MIRANDA
REAPARECENDO
Pois é, esse blog virou um eterno vilão de filme de terror: quando se acha que morreu, ele renasce! Dessa vez nem vou ficar me justificando, porque os motivos todos sabem (ou ao menos muita gente sabe). Aviso apenas que, enquanto aqui as coisas vão devagar, no Cinefilia tá indo melhor - apesar de certo atraso também, decorrente dessas semanas finais de ano, típicas de compras e festas.
Mas enfim: amanhã viajo pra casa da minha mãe e não devo atualizar o blog até segunda (ou sim, sei lá). Registro aqui meu desejo de feliz Natal a todos, ótimo ano novo e muita felicidade. E filmes, muitos filmes!
Hoje confirmei que vou estar presente ao Quepe do Comodoro, premiação do Carlão pros melhores sites de cinema do ano. Vai ser ótima oportunidade pra conhecer uma galera gente fina e, pessoalmente, me desculpar pela situação lastimável desse blog. Pena que me enrolei logo na época da avaliação dos indicados ao Quepe - perdi a chance do prêmio de bobeira, :-(
Coisas do jogo da vida. Vou chegando, mas PROMETO que ano que vem tudo será diferente. Atualizações mais constantes, atenção maior a cada uma das minhas atividades...
Aviso apenas que, apesar do atraso aqui, os filmes continuam sendo vistos, cada vez mais. É isso aí.
Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
Posted
3:28 PM
by MARCELO MIRANDA
VOLTANDO
Quando comecei com esse negócio de blog, sabia que, cedo ou tarde, iria empacar. Olha o que aconteceu: mais de uma semana sem post! Absurdo! Mas é justificável: trabalho, trabalho, passei mal, viajei, fiz provas, trabalho, trabalho...
Explica mas não justifica, na verdade. Então, aos poucos, vou tirando o atraso. Tenho uma listinha pra comentar, devo fazer isso nos próximos dias. Por enquanto, dêem uma lida na minha crítica a Os Incríveis, lá no Cinefilia. E comentem!
Até muito breve.
Quarta-feira, Dezembro 08, 2004
Posted
3:03 PM
by MARCELO MIRANDA
NELSON FREIRE
Brasil - 2003
Direção: João Moreira Salles
Belíssimo documentário sem nenhuma entrevista e com poucos depoimentos do mineiro Nelson Freire, pianista genial, dos maiores do mundo. Interessante que sua arte está absolutamente nos dedos - e em como Salles consegue captar toda a carga de emoção que emana do piano de Nelson e de seu cotidiano repleto de sons clássicos e modernos sem conversar com amigos, parentes, críticos nem nada disso. E o próprio Nelson, quando fala, não articula bem as palavras, deixa idéias em aberto, não responde direito. O que ele tem a dizer está no momento em que se senta ao piano.
João Moreira é, junto com o Eduardo Coutinho, o maior documentarista em atividade no Brasil, sem dúvida. O curioso é que ele não cansa de dizer que o seu interesse não é o fazer cinema, mas o fazer documental - seja isto pelas telas, por livros, pesquisas etc. O interesse maior dele não é filmar. É registrar, seja qual for a forma. Isso o torna um profissional de primeira linha, um cara que ama o que faz, seja como for. E faz muito bem. Notícias de uma guerra particular, por exemplo, é um trabalho anterior seu de impacto gigantesco, quase uma prévia do igualmente espetacular Ônibus 174, de José Padilha.
Palmas para João. E mais palmas ainda para Nelson.
Terça-feira, Dezembro 07, 2004
Posted
2:07 AM
by MARCELO MIRANDA
RECUPERANDO DOCUMENTÁRIOS
Talvez o problema mais grave do circuito de cinemas de Juiz de Fora nem seja a falta de lançamentos fora do grande circuito - já que, apesar de devagar, filmes que não sejam do cinema-lixo acabam chegando, mais cedo ou mais tarde. Pior é a extrema ausência de documentários: eles são simplesmente ignorados por aqui.
Assim, boa parte do que se fez em documentário este ano eu perdi nos cinemas, por pura falta de oportunidade e consideração dos exibidores e distribuidoras. Passaram apenas dois anti-documentários: Fahrenheit 11/9, que muito me desagradou; e Pelé eterno, que desgostei mais ainda...
Então, estou em fase de coleta nas locadoras. Seguem os já disponíveis que venho assistindo e vou comentando no blog aos poucos:
- Nelson Freire, de João Moreira Salles
- O prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento
- Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe
- 1,99 - Um supermercado que vende palavras, de Marcelo Masagão
- Sob a névoa da guerra, de Errol Morris
- Na captura dos Friedman, de não lembro quem
Sexta-feira, Dezembro 03, 2004
Posted
1:01 AM
by MARCELO MIRANDA
DIA DOS MORTOS
Day of the dead (EUA, 1986)
Direção: George Romero
Agora tudo se esclarece: Romero não apenas manteve intacto todo o seu pensamento quanto à sociedade, como concluiu sua trilogia dos mortos com um filme que, se não é tão marcante quanto os dois anteriores, choca tanto quanto. Depois de A noite dos mortos-vivos e O despertar dos mortos darem a sensação de falta de crença no ser humano, em Dia dos mortos ele explicita isso ainda mais, ao mostrar um típico cientista louco tentando tirar proveito da (falta de) capacidade dos zumbis - e ainda se dá ao luxo de criar aquele que talvez seja o personagem mais marcante da trilogia: Bub, o zumbi "inteligente".
A primeira metade do filme não me agradou muito, apesar dela servir de indispensável desenvolvimento e preparação para o final. Mas quando acaba, tudo se fecha muito bem. Somando aos anteriores, temos uma pequena saga de humanos tentando sobreviver ao mais assombroso dos apocalipses. E a constatação é óbvia, assistindo aos três filmes: os vivos, ainda que racionais e pensantes, conseguem ser mais animalescos, mesquinhos e cruéis que qualquer morto-vivo canibal. Romero estraçalha os personagens em primeiro plano, divide corpos, arranca cabeças e pernas. A única coisa que podemos pensar é que aquilo não é menos que o merecido para essa raça estúpida.
É, esses filmes de Romero mexeram comigo. Quando os peguei para ver, não imaginava obras tão fortes. Não apenas no aspecto do terror, em que o diretor é craque indiscutível, mas também no lado psicológico e mesmo sociológico contido nesses filmes. Não é á toa que Romero seja um cineasta "maldito".
Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
Posted
7:54 PM
by MARCELO MIRANDA
TODO MUNDO QUASE MORTO
Shaun of the dead (Inglaterra, 2004)
Direção: Edgar Wright
Nunca tinha ouvido falar desse filme até ler artigo na revista SET, na seção de DVD e vídeo. Fiquei interessado, ainda mais por eu estar numa onda danada de filmes de zumbi (já assisti ao terceiro da trilogia do Romero, Dia dos mortos, e comento aqui logo mais).
O que parecia uma sátira às fitas de zumbi é, na verdade, uma comédia muito inteligente com a presença de zumbis. Não é necessariamente uma zombaria aos mortos-vivos. Estes são elementos da trama, que apenas a enriquecem. Claro, há piadinhas tirando sarro daqueles lerdos andando e se contorcendo para comer carne humana, mas isso não é a preocupação maior do filme. Imagine assistir a A noite dos mortos-vivos recheado de bom-humor. É mais ou menos isso.
Humor nada besteirol. Esqueça Todo mundo em pânico e afins (apesar do horrendo título em português querer forçar a lembrança). Aqui reinam as piadas inglesas (afinal, o filme é da Inglaterra), a ironia, o risinho de canto de boca. Dificilmente irrompem gargalhadas de cair do sofá, nem é essa a proposta. Todo mundo quase morto é uma grande brincadeira, muito bem arquitetada, com elenco cheio de carisma e texto ágil e pop.
E se você curte fitas de mortos-vivos, não pode deixar essa de lado. É mais uma a se inserir no filão.
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