Impressões Cinéfilas

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005


PRECISA COMENTAR ALGUMA COISA?

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005


SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS
Sideways (EUA - 2004)
Direção: Alexander Payne

Sim, é um filme extremamente simpático. Sim, é um filme muito bem dirigido, com atores em grandes formas e um roteiro delicioso de acompanhar. Mas daí a fazer todo o alarde que vem fazendo, vai uma longa distância. Sideways é louvável pela simplicidade com que conta sua história, trata seus personagens, lida com as situações. E ponto.

Independente de todo o auê, o filme vale muito a pena. Alexander Payne fez uma obra ainda mais interessante que o anterior As confissões de Schmidt (outro supervalorizado), abordando pessoas comuns, com anseios e vícios típicos de uma sociedade que prega o sucesso a qualquer preço. A "habilidade" de Miles com os vinhos é uma sutileza perfeita para falar de alcoolismo, tema sempre controverso: a forma como Payne lida com isso jamais desrespeita o protagonista, apresentando seus defeitos e qualidades lentamente, formando uma pessoa muito próxima do real.

Paul Giamatti capta com perfeição essas características de Miles e entrega a sua maior interpretação, numa carreira ainda pouco valorizada. Nem gostei tanto de Thomas Haden Church, o amigo de Giamatti no filme - apesar do momento tocante em que se mostra alguém de fragilidade insuspeita até então. Virginia Madsen, indicada ao Oscar de coadjuvante (assim como Church), é outra a conquistar com detalhes sem se exarcebar ou arrebatar.

No fim das contas, Sideways tem méritos, mas nada que o levasse a um patamar superior em comparação a tantos outros bons filmes que estréiam nos EUA - e que não fazem parte do cinema-lixo. Indicá-lo ao lado de algo como Menina de ouro, por exemplo, e deixar de lado A vila (como bem comenta o crítico Ricardo Calil em sua coluna do site No Mínimo) é uma covardia imperdoável - sem trocadilho com o maior filme de Eastwood. Coisas da Academia.

NOTA: estarei fora neste final de semana, em rápida viagem a São Paulo. Então, mais uma vez, nada de computadores. Na semana que vem, com PC novo, acredito que a minha vida virtual volte ao normal - o que inclui este maltratado blog. Não me abandonem! Abraços a todos.

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005


CINEFILIA NA FOLHA

O site em que escrevo e ajudo a editar aqui em Juiz de Fora, o Cinefilia, ganhou três linhas no caderno de Informática hoje, na Folha de São Paulo. Numa seleção de 110 sites de cinema de todo o mundo, estava lá, na coluna da esquerda, embaixo, "Canal cinefilia". Só a descrição que não refletiu a verdade: "blog com reportagens especiais". Blog??? Reportagens??? Bem, olhando outros sites na mesma página, percebi que eles erraram em vários. Então, não foi caso isolado.

Mas e daí? O endereço e o nome do Cinefilia saíram corretamente, isso importa. Tomara que gere bastantes visitas. Outros de gente conhecida e que foram listados: Contracampo, Diário de um Cinéfilo, Cine Imperfeito, Era uma Vez na Paraíba e mais uma penca. Bom demais, pra todos. É a crítica de cinema na net sendo valorizada!

Ah, sim, claro: tem materinha sobre o Quepe do Comodoro e declarações do Carlão, que foi fonte pra repórter selecionar alguns dos 110 sites. Esse é o cara!


ENSAIANDO UM RETORNO

Pois é, meu computador me largou na mão em toooooodos esses dias. E ainda não chegou! Estou escrevendo do trabalho, por isso serei breve. Fiquei contente com dois comentários deixados aí embaixo: um, de uma grande amiga que está morando no Rio e finalmente assistiu ao fabuloso Menina de ouro. Só não saquei porque chamar o filme de "amanteigado". Se tem algo que ele NÃO é, é "amanteigado". Amanteigada é ela, que chora em tudo! :-)

Outra notícia legal é que o Plano a Plano, site do colega Bruno Amato, ganhou domínio próprio. Já estava na hora! Agora ele pode ser acessado pelo www.planoaplano.com.br

Quando aos filmes, venho assistindo muita coisa. Por conta de limitações na distribuição, ainda não chegaram por aqui O aviador e Ray. Na falta, vou vendo coisas em DVD e VHS. Rolaram algumas bem pesadas, como o japonês Tetsuo e o inglês O homem de palha. Estou seco pra comentar mais detalhes, mas não posso mesmo até o momento. Tomara que, até o final da semana, tudo volte ao normal.

Então, até lá.

Sábado, Fevereiro 19, 2005


DE RECESSO OUTRA VEZ

Meu computador vai ao médico daqui a pouco e só volta na segunda-feira. O que significa que não haverá posts nos próximos dias. Espero que isso não diminua a já limitada visitação a este humilde blog. De qualquer forma, desejo a todos muitos bons filmes nesse tempo. E até a volta (que deve ser até o início da semana que vem).

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005


OSCAR PARA TODO MUNDO

Nota publicada hoje no Cinema em Cena:

Depois do susto que os cinéfilos tomaram ao saber que o Oscar 2005 seria transmitido apenas pela TV paga, a Globo anunciou ontem que garantiu os direitos de exibição da cerimônia, que acontece no próximo dia 27.

De acordo com o site Meio & Mensagem Online, a emissora começou a vender nesta terça-feira, 15, cotas de patrocínio para a transmissão, que começa às 22h30 e será exibida após o programa Fantástico. O acordo da Globo com a rede ABC, pertencente ao grupo Disney, garante os direitos da transmissão também para 2006. O Oscar vinha sendo exibido pelo SBT nos últimos cinco anos, mas a emissora de Sílvio Santos não renovou contrato para 2005. Além da premiação da Academia, a Globo também comprou direitos de exibição de filmes e desenhos animados da Disney.

Na TV paga, a cerimônia será exibida pelo canal TNT, a partir das 22h, com a passagem dos convidados pelo tapete vermelho.

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005


MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA
The wild bunch (EUA - 1969)
Direção: Sam Peckinpah

Em toda a sua história no cinema, o faroeste contou com diversas fases, desde o auge até o final do gênero como o conhecemos (marcado em definitivo por Os imperdoáveis). É exatamente esta última fase, a da derrocada, que talvez seja de maior interesse no faroeste. Porque é uma fase recheada de questionamentos, dúvidas, anseios de um futuro incerto, busca por ideais não mais existentes. São os chamados faroestes crepusculares.

Pois Meu ódio será sua herança é um dos mais emblemáticos nesta linha. Feito quase ao mesmo tempo que outro da mesma estirpe (Era uma vez no Oeste, do imbatível Sergio Leone), este filme do americano Sam Peckinpah trouxe algo até então inédito ao gênero: uma violência gráfica verdadeira. Não há aqueles tiroteios em que os atingidos simplesmente se contorcem e caem. Aqui, há sangue. Muito, muito sangue, como nunca antes. E o sangue de Peckinpah dói na carne do espectador. Os tiroteios são realistas, dolorosamente autênticos. A câmera lenta e o primeiro plano no meio da carnificina apenas reforçam o poder das imagens, o choque que temos ao vê-las e senti-las.

O filme narra as desventuras do "bando selvagem", liderados por um William Holden já em final de carreira (bem depois de ter brilhado como o cafajeste que do clássico Crepúsculo dos deuses). Ele assume a que seria sua última missão como fora-da-lei: roubar armamentos para rebeldes mexicanos, em plena revolução e às vésperas da I Guerra Mundial. No encalço, sai um grupo cujo chefe seu antigo companheiro e amigo. Como dá para notar, já se sente na trama o clima de "funeral" do filme, a idéia de que este é um tempo que não comporta mais homens como o pistoleiro vivido por Holden.

Cheio de simbolismos para registrar suas principais idéias (desde a cena inicial, com as crianças sacrificando um escorpião, até o desfecho, em que um garoto define toda a luta), Meu ódio será sua herança mistura toda a carga de violência e morte com grande sensibilidade e reflexão. É obra-prima do western, ainda hoje triste e dura de ser vista - mas sempre obrigatória.

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005


ILUSÃO DE MORTE
Shuang tong (Taiwan - 2002)
Direção: Kuo-fu Chen

Nunca é muito saudável acreditar em balconistas de locadora. Geralmente eles estão menos interessados na qualidade do filme do que em fazer com que o cliente leve o máximo de coisas possíveis. Mas perto da minha casa abriu uma pequena locadora, apenas de DVDs, em que o dono vem me surpreendendo: além de comprar coisas pouquíssimo valorizadas (ele tem lá uma penca de faroestes Bonanza, episódios do Besouro Verde, King Kong original e mais umas pérolas), o cara parece sacar bem o que está falando. Costuma recomendar boas coisas, assim como "desrecomenda" outras nem tanto.

E foi numa dessas que aluguei com ele este Ilusão de morte, policial de Taiwan. Nunca tinha ouvido falar do filme, nem dei muita fé. Mas aí o colega Otávio Moulin (do fundamental Pagoda Reborn) citou o filme e aumentou minha curiosidade. Pois não é que foi uma boa surpresa? Meio uma mistura de Seven com o seriado Arquivo X, é um suspense bastante eficiente, que parte de misteriosos assassinatos em série ligados a uma esquisita tradição taoísta.

Dois policiais são encarregados de investigar os crimes, e lembram mesmo Fox Mulder e Dana Scully: o americano, servindo de consultor do FBI, é um defensor da ciência e da lógica; o outro, taiwanês, começa a crer que algo sobrenatural possa estar nas entranhas das mortes. Nesse aspecto, o filme retoma uma questão que a refilmagem ianque de O grito levantou: de como a cultura asiática é estranha ao paladar ocidental, sempre afeito a coisas fora do normal. O melhor é que, aparentemente, o cinema oriental tenta impor suas crenças através desses filmes, mostrando que por vezes as soluções dos mistérios podem estar além do nosso campo de visão.

Ilusão de morte tem boas cenas de suspense e momentos memoráveis (principalmente o sangrento massacre num templo taoísta), apesar de certa caretice do diretor no desenvolvimento visual do filme - mesmo assim, a seqüência final tem interessantes achados visuais e temáticos. Vale a dica de alugar essa pequena pérola, que se não é das melhores coisas, tem sopros de saudável originalidade no desgastado gênero policial.

Sábado, Fevereiro 12, 2005


A MÁSCARA DE SATÃ
La maschera del demonio (Itália - 1960)
Direção: Mario Bava

O italiano Mario Bava começou a dirigir longas-metragens quanto já estava "velho": somente aos 46 anos lançou seu primeiro filme, este A máscara de Satã (encontrado também como A maldição do demônio), em 1960. E caprichou: para muitos sua obra-prima, esta fita de terror é fascinante, principalmente na forma como lida com a atmosfera mórbida.

Tratando de temas como satanismo e bruxaria, o filme carrega no clima meio fúnebre e nas imagens escuras e sempre sombrias. Talvez isso se deva à longa carreira de Bava como fotógrafo de outros diretores, antes de tornar-se ele mesmo um cineasta. Em A máscara de Satã, nem bem a história é o grande atrativo, mas sim todo esse conjunto de movimentação e ação dentro dos planos, o terror impresso em seqüências espetaculares (minha favorita é o prólogo, que dá o gancho para todo o filme). Apenas não fiquei muito satisfeito com o desfecho, feliz demais se comparado a tudo visto até ali.

Dá para perceber em pequenos momentos a influência que Bava exerceu nos seus conterrâneos, em especial Dario Argento (aquele enforcamento do servo da princesa, com uma mão surgindo do nada e segurando uma corda em volta do pescoço do personagem, lembra muito o que Argento faria depois). Na verdade, Mario Bava é tido como um precursor do horror na Itália e em todo o cinema - ele, inclusive, fez parte da equipe técnica do primeiro terror falado produzido no país. É um cara visionário, que deu a deixa para muito do que de melhor no gênero a terra da Sicília nos proporcionou em anos seguintes.

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005


O JUSTICEIRO
The Punisher (EUA - 2004)
Direção: Jonathan Heinsleigh

Não dá para entender certas decisões das distribuidoras brasileiras. Enquanto porcarias absurdas entopem o circuito, um filme de ação razoavelmente interessante como O Justiceiro fica de fora e acaba direto no vídeo e DVD. Não que seja uma grande obra, mas é muito superior à penca de cinema-lixo que precisamos suportar mês a mês. E passa longe da burrice e do vazio que existe num longa como Mulher-Gato, alardeado em todo canto.

Mas vamos ao filme: inspirado nos quadrinhos da Marvel, conta a história do policial Frank Castle, vítima da ira de um líder criminoso. Ele perde toda a família e vai à luta por vingança - ou melhor, "punição", em sua ótica. O maior problema de O Justiceiro é que o longa já nasceu velho. Esse papo de sobrevivente de um massacre que decide tomar a lei em suas mãos já deu seu máximo na década de 80. Hoje, soa antiquado e sem motivo de existir (se bem que, em tempos de Bush, esse tipo de filme tornou-se ironicamente mais atualizado).

Abrindo mão disso, até que a ação de O Justiceiro funciona bem. As seqüências são bem feitas e empolgantes, apesar de meio escassas - em vez disso, tenta-se desenvolver (sem sucesso) uma personalidade complexa para Castle e relacioná-lo (mais sem sucesso ainda) com vizinhos excêntricos. Um tempo perdido, que poderia ser mais bem aproveitado em cenas eletrizantes, seguindo o original dos quadrinhos.

Aliás, em se tratando de adaptação, não é grande coisa. O curioso é que o filme inteiro funciona como a origem do personagem, desde o início até o desfecho - quando, aí sim, nasce o verdadeiro Justiceiro que conhecemos. Nesse aspecto, eu prefiro imensamente o Justiceiro com Dolph Lundgren de 1989. Apesar de execrado por muita gente, considero-o um filme muito mais eficiente em termos de ação, trama e até direção. Sem falar que Lundgren (chamado pelo Carlão Reichenbach de "o pior ator do mundo"), com sua cara fechada e inexpressiva, convence além do que tenta fazer o insosso Thomas Jane, forçando a todo custo criar um anti-herói carismático.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005


MENINA DE OURO
Million dollar baby (EUA - 2004)
Direção: Clint Eastwood

Voltando em grande estilo, nem tenho muito o que comentar deste filmaço do mestre. O melhor a fazer é lerem a crítica completa que escrevi no Cinefilia. Podem acessar diretamente aqui. E não deixem de ver de jeito nenhum!

Agora, já estão me perguntando se gostei mais deste do que de Sobre meninos e lobos. Impossível dizer, porque os filmes de Clint são únicos. Claro, como autor de primeira linha, ele trabalha temas semelhantes sempre de formas mais e mais profundas. O que dá para falar é que o velho e bom ator e diretor está amadurecendo a cada trabalho e fazendo filmes sempre complexos e nada convencionais. Só vendo.

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005


RECESSO PARA O CARNAVAL

De amanhã até a próxima quarta-feira, estarei viajando e totalmente sem acesso a computadores. Então, este maltratado blog ficará sem atualizações até lá. Espero que não se afastem e voltem sempre. A partir da semana que vem, volto à "programação normal", comentando os filmes de destaque que vou assistindo dia a dia.

Então, colegas cinéfilos, bom carnaval. Pulem bastante! Agora, se puderem, façam coisa melhor: tranquem-se em casa e se entupam de filmes e mais filmes. Isso, sim, é curtir um feriado, :-)
Até a volta!

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005


O VENCEDOR DE TIRADENTES

Continuando a reprodução das matérias que fiz para o jornal PANORAMA na 8ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Agora, um texto sobre o ganhador do Troféu Barroco, dado pelo júri popular, Filhas do vento, de Joel Zito Araújo. Leiam e curtam!

O engajamento conquistou o público de Tiradentes. Filhas do vento, filme sobre a situação do negro na realidade atual brasileira, foi o vencedor do Troféu Barroco, na última noite da 8ª Mostra de Cinema de Tiradentes. O prêmio é conferido anualmente ao longa mais votado pelo júri popular - formado pelos próprios espectadores que lotam a tenda e a praça da cidade histórica em nove dias de uma mostra dedicada exclusivamente ao cinema brasileiro.

Filhas do vento é o primeiro filme de ficção dirigido por Joel Zito Araújo, conhecido pelo forte envolvimento na questão do negro, dentro do audiovisual brasileiro. Em anos de pesquisas, Joel apurou o quanto o negro é tratado como subalterno em novelas e séries da televisão. Desse trabalho surgiram o livro e o documentário A negação do Brasil - O negro na telenovela brasileira (2000). As obras são resultado de um levantamento do diretor sobre a participação de negros em 174 novelas exibidas entre 1964 e 1997, nas redes Globo e Tupi.

É dessa experiência que surgiu o filme vencedor em Tiradentes. Numa mostra marcada por obras de choque (de classes, de raças, de ideologias, de épocas), Filhas do vento representou um ápice: a história diz respeito a determinada família de negros vivendo no interior do Brasil. Uma das filhas entra em conflito com os pais e muda-se para a capital com o intuito de tornar-se atriz. Encontra dificuldades por conta de sua cor e, décadas depois, retorna à cidade natal para acertar contas com o passado.

Aprovada em concurso do governo para projetos de baixo orçamento (custou R$ 1,3 milhão), boa parte da produção foi filmada em Lavras Novas, distrito de Ouro Preto. O elenco é quase totalmente formado por atores negros (entre eles, Milton Gonçalves, Léa Garcia, Maria Ceiça, Ruth de Souza, Taís Araújo, Kadu Carneiro e Rocco Pitanga), e o tom do filme é bem semelhante ao das telenovelas - o que é proposital, em vista da proposta do diretor de mostrar como os negros podem protagonizar uma obra sem serem empregados domésticos ou escravos.

O troféu em Tiradentes reafirma o potencial sucesso comercial do filme. Integrante da mostra competitiva no Festival de Gramado em 2004, Filhas do vento saiu de lá com os prêmios de direção, ator (Milton Gonçalves), atriz, (Ruth de Souza e Léa Garcia), coadjuvantes (Rocco Pitanga, Taís Araújo e Thalma de Freitas) e prêmio da crítica. Na cidade sulina, o vencedor pelo júri popular foi Vida de menina, de Helena Solberg e também exibido em Tiradentes. Mas a mineiridade de toda a produção do filme de Joel, mesclada à história mais próxima do mundo em que vivemos (e dosando muito bem o contexto individual com o coletivo, o que Solberg não conseguiu em seu filme), tomou de assalto o gosto da platéia dessa 8ª mostra.

Nos nove dias da mostra, foram exibidos 22 longas (dos quais 14 concorriam ao prêmio popular), 58 curtas (sendo 39 a serem votados) e 69 vídeos (61 concorrendo).
Além de Filhas do vento em longa, o público de Tiradentes também votou nos curtas-metragens e vídeos. O mais bem votado entre os curtas foi o brasiliense O último raio de sol, de Bruno Torres. O filme já havia recebido dois prêmios no Festival de Brasília do ano passado: ator (José Dumont) e fotografia (André Lavenére). O prêmio concedido em Tiradentes, através de parcerias, consiste em R$ 6 mil em equipamentos de filmagem e latas de negativo. O escolhido como melhor vídeo foi o mineiro TV Muro, de Fábio Britto e Simone Lara. Os realizadores levaram 10 fitas mini-DV e aluguel de equipamentos para novos trabalhos.

A 8ª Mostra de Cinema de Tiradentes, orçada em R$ 940 mil, terminou com público estimado em 35 mil pessoas (sete vezes o número da população local) e uma injeção de R$ 2 milhões na economia da cidade.


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