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Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Posted
11:24
by MARCELO MIRANDA
POSSESSÃO
Possession (França / Alemanha - 1981)
Direção: Andrzej Zulawski
Gripadíssimo, assisti a esta pérola que eu ambicionava ver há algum tempo. Sem tempo para maiores comentários, deixo apenas a imagem perturbadora e enigmática do cartaz original e a certeza de ter visto, mesmo que ainda não totalmente compreendido, uma obra-prima de obsessão, loucuras, sangue, terror e, mais do que tudo, amor. E o que é Isabelle Adjani nesse filme?! Uau...
Terça-feira, Setembro 27, 2005
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02:23
by MARCELO MIRANDA
FESTIVAL DO RIO
Estou escrevendo para o Digestivo Cultural de alguns filmes vistos no final de semana no Festival do Rio. Se alguém se interessar, ainda dá para pegar certas pérolas. Dêem uma lida aqui.
Logo volto ao blog com novidades. Até!
Quinta-feira, Setembro 22, 2005
Posted
02:58
by MARCELO MIRANDA
PAIXÃO CRESCENTE
A mais nova gracinha de Hollywood, Rachel McAdams é carismática, bonita, talentosa, simpática e aparentemente inteligente. Acabo de assistir com ela Diário de uma paixão, de Nick Cassavetes, romance eficientíssimo na sua proposta de ser um melodrama rasgado e vigoroso. Ela está em cartaz com Vôo noturno e Penetras bons de bico. Marcou belas presenças recentemente no meio boboca Garota veneno e no excelente Meninas malvadas. Essa menina tem tudo pra ir longe. Sai fora, Reese Whiterspoon!
Terça-feira, Setembro 20, 2005
Posted
16:40
by MARCELO MIRANDA
ÁGUA NEGRA
Dark water (EUA - 2005)
Direção: Walter Salles
Só agora pude conferir a estréia do brasileiro em Hollywood (o filme estreou aqui na semana passada, inacreditável...). Escrevi uma crítica pro PANORAMA e a reproduzo abaixo. Vou vasculhar sites e blogs em busca de comentários do pessoal. Mas desde já adianto: achei a crítica da quase sempre interessante Contracampo, escrita pelo colega blogueiro Paulo Ricardo de Almeida, extremamente implicante com o filme e, principalmente, com o Salles. Uma pena.
O terror da solidão
Walter Salles narra em Água negra o drama de uma mãe traumatizada às voltas com a filha e um prédio assombrado
Apesar de ser um suspense sobrenatural, Água negra é também mais um filme em que Walter Salles retoma o principal tema de seu cinema: a relação familiar, em especial entre pais e filhos. Foi explicitamente assim nos seus dois maiores sucessos, Central do Brasil e Abril despedaçado; teve ecos em O primeiro dia e Terra estrangeira; e foi metaforizado em Diários de motocicleta, na figura de um jovem Che Guevara (o filho) em busca da verdade sobre o continente latino-americano (o pai). Não é porque Salles estreou em Hollywood que deveria ser diferente.
E talvez por isso Água negra tenha sido o tumulto que foi. Filme pronto, Walter Salles não gostou do resultado. Insinuou não ter tido autonomia na montagem final e muito menos na forma como o projeto foi vendido. Decidiu não participar da divulgação do longa, o que prejudicou o desempenho junto à crítica e público. Mas quem se deu pior nessa história foi o próprio filme, que não merecia nada pelo que passou. O diretor pode não ter aprovado o produto que realizou, mas que fez bem, isso ele fez. O drama da recém divorciada Dahlia (uma contida e frágil Jennifer Connelly) às voltas com o ex-marido e a filha pequena ganha contornos sombrios quando ela se muda a um prédio aparentemente assombrado, mas não deixa de ser, essencialmente, a evolução de uma angústia.
Tudo no filme serve para desenvolver a dor de Dahlia. Desde a chuva incessante, passando pelas lembranças da infância da protagonista e chegando às suas dúvidas quanto à própria sanidade. Há ecos de boa parte da obra do polonês Roman Polanski, em especial o clima mórbido de Repulsa ao sexo, a paranóia desenfreada de O bebê de Rosemary e a loucura crescente de O inquilino. Nesse caldeirão psicológico, Salles resgata os elementos espirituais do moderno cinema de horror japonês (do qual Água negra se originou) para tecer um enredo que, se não possui excesso de sustos, perseguições ou gritaria (como boa parte do público vai querer buscar), trabalha no limite do sobrenatural, sem jamais largar pé do real.
É essa a proposta de Walter Salles desde as primeiras cenas: registrar a tristeza da mulher traumatizada pelo abandono da mãe tentando se redimir perante a filha. O rosto dolorido de Connelly contrasta com a inocência e pureza da criança. A sutileza no desenvolvimento da trama, a falta de pressa em mostrar cenas de horror, a ambientação no prédio e na vizinhança (com a fotografia do também brasileiro Affonso Beato mantendo aquele universo freqüentemente incômodo) e, principalmente, o respeito que Salles tem pelo espectador e pelos personagens que aborda dão a Água negra surpreendente frescor e grande qualidade como cinema da solidão. A ironia do desfecho, em que a mãe faz por amor à filha o que ela mais temia, é a conclusão curiosamente otimista de um pequeno conto em que o terror não está nas portas batendo ou na água que pinga do teto, mas na possibilidade de não se ter a quem recorrer nos momentos mais difíceis.
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Posted
01:52
by MARCELO MIRANDA
ANOS DE REBELDIA
Out of the blue (EUA - 1980)
Direção: Dennis Hopper
Bom ter impactos genuínos com o cinema. Estava adiando assistir a esse filme lançado pela Aurora, e por acaso hoje decidi rodá-lo. Em uma palavra rápida: porrada. Não, não é um filme de luta, mas é o que o clichê chamaria de "soco no estômago". Eu nunca achei o tal Sem destino o grande filme que todos comentam (até gostei, mas não sei a que ponto ele sobrevive bem). Neste aqui, Hopper faz um trabalho atemporal, autêntico, genuinamente cru e direto. É como se ele perdesse boa parte das esperanças nas pessoas, em especial na instituição familiar, e decidisse retratar as entranhas desse universo tão complexo.
A sutileza do filme contrasta com sua acidez. Ao mesmo tempo em que o diretor insere pequenos elementos ambígüos ou detalhes enriquecedores para cada personagem, ele extravasa emoções internas há muito sufocadas. O ponto de vista é o da jovem Cindy Barnes, ou simplesmente CB. Adolescente problemática e traumatizada, precisa enfrentar a realidade de ter o pai preso e a mãe viciada em drogas. Fã de Elvis Presley e da ideologia punk, é dona de um comportamento tido como inadequado, que por vezes mistura subversão à mais pura infantilidade.
Porque, no fundo, é simplesmente isso que Cindy é, ou ao menos quer ser: uma criança. Não é à toa que, nos momentos de maior tensão no cotidiano tão complicado, ela chupe o dedão da mão, como um bebê. Ou quando se traveste de seu grande ídolo naquele instante decisivo da impressionante seqüência final. O trauma da personagem e a distância do pai não servem de justificativa para a tal "rebeldia" do inadequado título em português do filme. É tudo mais fundo. É uma série de fatores que, somados e acumulados, vão se tornar motivo para a cada vez maior queda do amor entre entes queridos. Um exemplo de incorporação psicológica do comportamento dos personagens às suas realidades seria o jeito masculinizado de CB: é a forma de denotar a confusão interior que ela vive, a indecisão sobre qual caminho seguir a partir das coisas que ela vivenciou e ainda vivencia.
A forma como o cineasta Hopper (e também ator, aqui como o pai) carrega o enredo é de uma singeleza incrível, por mais que os temas sejam sombrios. Mistura uma "cara" tipicamente independente a um estilo seco, com cenas às vezes longas, mas jamais mortas, e a música-tema de Neil Young, impossível de não encantar. No fim, temos o micro-universo indefinido daquelas pobre gente infeliz. Não há conclusões, apenas fatos. E é nisso que está a riqueza. Atenção ainda para a fenomenal atuação de Linda Manz no papel principal.
Vale reproduzir (e reafirmar) as palavras do crítico Roger Ebert, registradas num dos extras do DVD em formato textual:
"Anos de Rebeldia" é um dos maiores tesouros desconhecidos do cinema independente americano, um cartão de visitas de dois talentos rebeldes do cinema: o ator e diretor Dennis Hopper e a atriz Linda Manz.
Quinta-feira, Setembro 15, 2005
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02:04
by MARCELO MIRANDA
DICAS E LINKS
Em vez de escrever simplesmente, vou deixar duas dicas para textos meus de cinema espalhados por aí e uma matéria em que eu e outros blogueiros malucos somos citados. Isso ajuda tanto pela falta de tempo quanto pela sempre bem vinda auto-promoção! Então, lá vão:
1) coluna no Digestivo Cultural sobre a chegada da Aurora DVD no mercado
2) crítica sobre Vôo Noturno, novo (e ótimo) filme do Wes Craven, em cartaz nos cinemas.
3) matéria do jornal O POVO sobre blogs de cinema. Excelente e oportuna pauta da Camila Vieira, ela mesma blogueira do Imagem em Movimento. Tem depoimentos de um monte de gente boa lá.
E é isso aí. Por enquanto.
Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Posted
11:26
by MARCELO MIRANDA
LEÕES A ELA
Ela concorria ao Leão de Ouro de melhor atriz por Gabrielle, de Patrice Chereau (o mesmo de Irmãos) em Veneza. O filme foi elogiadíssimo tanto pelo clima opressivo e perturbador quanto pela sua atuação. Mas Isabelle Huppert não venceu. Em compensação, saiu do festival com algo ainda maior e mais prestigioso: um prêmio especial pelo conjunto da obra. E que obra! Uma das melhores atrizes em atividade no cinema hoje (estou me segurando pra não colocá-la no topo), Huppert é um furacão de talento e poder, mistério e sensualidade. Seus vários filmes com Chabrol, as memoráveis interpretações em Amateur, Oito mulheres, A professora de piano e tantos mais a destacam como diva absoluta dessa geração que está aí - e essa francesa nem é tão jovem, está com 52 anos. Vida longa e carreira próspera eterna a esta grande mulher!
Sábado, Setembro 10, 2005
Posted
21:38
by MARCELO MIRANDA
RÁPIDAS NOVAMENTE
Sem delongas, dois filmes vistos hoje:
A VIDA E MORTE DE PETER SELLERS
The life and death of Peter Sellers (EUA - 2004)
Direção: Stephen Hopkins
O maior mérito deste filme de Stephen Hopkins, entre tantos mais, é imbricar na linguagem o tipo de tema e personalidade com os quais ele está tratando. No caso, a vida do genial Peter Sellers, ator imortalizado em papéis cômicos nos filmes mais engenhosos (desde a cinessérie A pantera cor-de-rosa, passando pelas parcerias fundamentais com Kubrick em Lolita e Dr. Fantástico, até o fim da carreira, fazendo drama em Muito além do jardim). Sellers tinha como característica artística principal a capacidade de se metamorfosear em diversos personagens completamente distintos, às vezes no mesmo filme. Hopkins tornou isso um modo de vida do ator e tratou sua trajetória pessoal e profissional exatamente como o comediante aparecia nas telas - sempre transformado em alguém que não fosse ele, de fato.
Assim, o que o filme transmite é a figura de um Sellers perturbado, sem coragem (ou força) para enfrentar os problemas que a vida, ou ele mesmo, impunha. Se acontecia uma briga doméstica, ele se fingia de criança; se a mãe lhe cobrava responsabilidade, ele se travestia de algum personagem; se o filho fazia algo que o irritava, ele respondia de forma semelhante, por mais cruel que fosse. Num sentido metafórico, Sellers não queria viver, mas chegar logo à morte. Enquanto fazia o caminho, ia aproveitando a fama e os impulsos para conseguir belas mulheres e muito dinheiro (ou nem tanto, já que não sabia administrar os salários). Nisso, até o título do filme soa perfeito, porque a morte era algo que rondava a vida de Peter Sellers.
Hopkins foi extremamente coerente ao acreditar nessa visão e assumi-la durante todo o filme. Isso explica a decisão de colocar Geoffrey Rush (que interpreta o ator) também encarnando pessoas que viviam às voltas de Sellers. Assim como o comediante não teve uma personalidade totalmente própria, nada que faça mais sentido do que colocar seu alter-ego numa biografia sendo várias pessoas diferentes. A crença do diretor nesse olhar é tamanha que chega ao explícito na cena final, quando Sellers não permite que o espectador entre em seu camarim - numa clara alusão à sua introspecção quanto a quem ele realmente era.
O citado Rush merece um parágrafo à parte: ele está absolutamente magistral como Peter Sellers. Não apenas tem os trejeitos do ator, como também acaba parecido fisicamente com ele em quase todas as cenas (isso fica mais notável porque ambos, a princípio, não têm qualquer semelhança nesse sentido). O olhar por vezes perdido, as atitudes extremas, o uso do corpo e da voz como formas de se projetar, tudo está em Rush, num trabalho a ser aplaudido. Mais uma vez me convenço do quanto pode ser equivocado laurear interpretações "mediúnicas", como a do recente Jammie Foxx em Ray, enquanto verdadeiros trabalhos de criação e adaptação ficam à margem - neste caso, mais ainda, já que Rush não pôde concorrer ao tão comentado Oscar porque o filme foi produzido para a televisão. Não que faça tanta diferença, até porque a produção concorreu à Palma de Ouro em Cannes no ano passado.
O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
L'uccello dalle piume di cristallo (Itália - 1970)
Direção: Dario Argento
Finalmente consegui assistir ao primeiro longa-metragem do grande Dario Argento, cortesia da Aurora DVD, que logo coloca o filme no mercado. Não é uma obra-prima, o que passa longe de invalidar o filme. O melhor, para quem conhece alguma coisa do trabalho de Argento, é perceber como ele já mantinha algumas obsessões desde a estréia atrás das câmeras. A começar pelo assassinato brutal de mulheres, indo por detalhes da cena do crime vistos pelo olho humano mas enganados pela memória, a investigação particular do protagonista, os traumas do passado reverberando no presente, a falsa revelação da verdade e o desfecho de impacto.
São elementos que se repetiriam, ou melhor, seriam aprimorados, ao longo da carreira desse italiano. Aqui, não há grandiosas cenas de morte, como depois viriam as seqüências operísticas de Prelúdio para matar, Suspiria e Tenebre, entre tantos mais. Ainda assim, o suspense é muito bem desenvolvido, a música de Ennio Morricone pontua com precisão e o roteiro, apesar de meio óbvio e simplista, não compromete o resultado final. Vai ser curioso ver espectadores se iniciando em Dario Argento por esse filme. Acredito que possa gerar um interesse pela sua obra posterior, ainda em andamento (seu último filme, O jogador de cartas, segue inédito comercialmente no Brasil).
Vale registrar que este foi também o primeiro filme de uma trilogia informal que Argento acabou fazendo. Os outros, filmados nos dois anos seguintes, foram O gato de nove caudas e Quatro moscas no veludo cinza, todos seminais para a consagração do subgênero giallo (marcado, grosso modo, por crimes misteriosos e mortes violentas) no cinema da Itália.
Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Posted
13:18
by MARCELO MIRANDA
RAPIDINHAS
O tempo tá escasso, mas venho conseguindo ver muita coisa. O que é ótimo, porque nada me frustra mais que não ter tempo de ler ou ver filmes. Então, pra encurtar o papo e falar de muita coisa, comento algumas pérolas vistas em casa recentemente. Reparem minha propensão ao cinema da Coréia do Sul, que vem fisgando com força...
SYMPATHY FOR MR VENGEANCE (Coréia do Sul, 2002)
Direção: Park Chan-wook
Primeiro filme da "trilogia da vingança" desse diretor já reconhecido quase que no mundo todo. Aqui ele dosa muito bem violência e sensibilidade ao falar de um garoto mudo que, unido à namorada, seqüestra a filha do ex-patrão na tentativa de conseguir dinheiro e pagar o transplante de rim da irmã doente. A história até melodramática ganha contornos sombrios e sádicos quando tudo dá terrivelmente errado. Começa um ciclo de vingança impressionante e sem fim, em que todos na tela estão dispostos a enfrentar qualquer coisa para acertarem as contas. O mais impactante é que até os personagens "simpáticos" se tornam verdadeiros vilões - na verdade, "vilão" não é uma palavra correta. Talvez "seres humanos", se formos considerar a natureza do homem como essencialmente vingativa.
Chan-wook filma tudo com secura, muitas e muitas elipses e praticamente em planos fixos. A impressão é de que a câmera (ou seja, nós) está simplesmente encostada observando os acontecimentos, sem se impor ou dar um caminho. A montagem é que é a chave do filme, é ela que vai guiar os fatos e os personagens até seus infernos pessoais. Não há concessões de técnica ou narrativa, muito menos cenas "mortas" - a cada corte, temos um novo momento, é como se o diretor ignorasse as "passagens de cena" e fosse sempre direto ao que realmente interessa. Cinema de altíssimo nível.
OLDBOY (Coréia do Sul, 2004)
Direção: Park Chan-wook
Segunda parte da mesma trilogia, que só semana passada pude ver depois de meses esperando entrar em cartaz aqui em JF. A genialidade de Chan-wook é tamanha que ele fez um filme completamente diferente - com exceção da temática, sempre a vingança. Só que desta vez ele é virtuosístico, exagerado, caricato, graficamente mais violento, trilha sonora poderosa, trama cheia de surpresas. E quer saber? Tudo funciona maravilhosamente bem! Incrível o talento desse cara para trabalhos tão díspares em termos de linguagem.
Agora, vemos um homem aprisionado por 15 anos que repentinamente é solto. Ardendo de ódio, vai tentar descobrir os culpados pelo seqüestro e, claro, se vingar. O que ele não imagina é o tamanho da confusão e da estratégia. A subversão do roteiro torna um mero filme de vingança em algo muito maior e reflexivo, a partir do momento em que percebemos não ser bem o protagonista a estar arquitetando uma desforra... Há cenas brilhantes e memoráveis, em especial a luta desesperada num corredor e o conflito final, em que uma língua (!) ganha contornos trágicos. Park Chan-wook, esse cara é, com o perdão do palavreado, muito foda. Mal posso esperar pra ver o terceiro e último da tal trilogia, Sympathy for Lady Vengeance, que está concorrendo a melhor filme no Festival de Veneza.
A TALE OF TWO SISTERS (Coréia do Sul - 2003)
Direção: Kim Ji-woon
Um terror de arrepiar, sem sustos gratuitos e explicações em demasia. Tão acostumados que somos aos filmes de horror meia-boca dos EUA (com honrosas exceções) que, ao nos deparar com pérolas como esta, só podemos louvar. O clima de puro mistério e o desenvolvimento enigmático (até uma hora de filme, não fazemos muita idéia do que, afinal, está acontecendo nem sequer do que o filme trata exatamente) desenbocam numa tormenta de imagens e revelações dignas de David Lynch, em que nada (nem ninguém) é o que parece. Ou talvez seja, sei lá.
O mais importante não é entender ao pé da letra o roteiro. É, sim, admirar as composições de imagens magníficas de Ji-woon, acompanhar as peripécias de medo que ele impõe aos personagens, vê-los atordoados pelos acontecimentos, arrepiar perante figuras fantasmagóricas que não se inibem em aparecer a qualquer hora em qualquer lugar de uma casa sinistra. Poucas vezes o medo é tão genuinamente real quando aqui, e mais ainda: nem sempre um cineasta pode se gabar de provocar pavor no espectador com algo que, a priori, sequer está definido. Você pode não entender, no final, quem, afinal são essas duas irmãs do título (e a madrasta delas), mas vai ter se envolvido tanto com suas angústias que não ficará indiferente...
CÃES RAIVOSOS (Itália - 1974)
Direção: Mario Bava
Último filme do mestre italiano e recentemente exibido na Sessão Dupla do Comodoro, em São Paulo. Invejoso, peguei uma cópia em Divx do filme apenas pra não ficar por fora, já que não tinha visto ainda. Obra-prima de tensão, emaranhando de situações qe culmina em sangue, morte e surpresas mil. Um bando de assaltantes pegam de refém um casal que não se reconhece e o filho doente do homem, que também se torna motorista (forçado) do bando. Juntos, vão atravessar estradas do país para fugir da polícia. No caminho, além da delicadeza da própria situação, os marginais ainda vão aprontar de tudo com aquelas pobres pessoas.
Bava cria cenas realmente pesadas, em especial quando dois bandidos humilham a garota refém quando ela tenta fugir numa fazenda. É, talvez, o momento mais marcante do filme, em meio a tantas cenas sádicas e sufocantes - não à toa, o diretor filmou em 16mm e com planos fechados, o que torna a experiência mais realista e nos faz sentir o abafamento no interior do carro, como se estivéssemos ali entre os personagens. Mas a jogada de mestre de Bava só é completada no último instante de filme, quando ele escancara a verdadeira face do inimigo e dá uma das maiores passadas de perna no público em toda a história do cinema. Só vendo para acreditar. Mas antes disso, a provação é dolorosa. Filme de respiração suspensa, que nos exige muito fôlego para enfrentar os limites extremos do homem quando ele parece destituído daquilo que o diferencia de outros animais: humanidade e compaixão.
Sábado, Setembro 03, 2005
Posted
13:37
by MARCELO MIRANDA
ENQUANTO ISSO...
É, a coisa tá feia. Semana de volta ao trabalho, uma matéria grande sobre cinema brasileiro pra escrever, poucos filmes nos últimos dias... Por enquanto, quase tudo na vida em suspenso. Mas como adoro esse blog aqui e respeito demais quem ainda se dá ao trabalho de acessá-lo, não posso largar a página às moscas por mais de uma semana. Então, estou dando notícias. Espero que os leitores não desapareçam.
Para tentar manter a audiência, linko abaixo minhas duas últimas colunas no Digestivo Cultural:
1) Nem Godzilla faria melhor - uma tentativa de entender e até explicar os motivos que tornam o atual terror japonês no cinema um dos mais criativos do mundo e fonte inesgotável de idéias para o cinema americano.
2) Uma nova aurora para os filmes - artigo sobre a chegada da Aurora DVD no mercado, enfrentando esse monte de distribuidoras comerciais que entopem o circuito de lojas e locadoras com os mesmos filmes medíocres. E uma tentativa de análise de dois dos primeiros lançamentos dessa empresa nordestina.
E não demoro a voltar. Sério!
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