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Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Posted
12:31
by MARCELO MIRANDA
COLUNAS: DESTAQUES DO ANO NO CINEMA
Apesar de meio afastado aqui do blog, segui fazendo minhas tarefas "obrigatórias", entre elas as colunas para o Digestivo Cultural. As duas últimas, em particular, foram muitos legais de produzir por se tratarem das famosas retrospectivas de fim de ano. No caso, escrevi alguns comentários sobre filmes que mereceram destaque no ano que passou. Fica o convite para a leitura e a troca de idéias, como sempre. Seguem abaixo:
* 15 destaques do cinema internacional em 2005
* 7 destaques do cinema brasileiro em 2005
Lá tem arquivos pras outras colunas, caso se interessem. Ficam as dicas. Até!
Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Posted
00:56
by MARCELO MIRANDA
PAIXÃO À FLOR DA PELE
Wicker park (EUA / Canadá - 2004)
Direção: Paul McGuigan
Muito bom ter surpresas como este filme. Nem dei bola quando passou no cinema, menos ainda quando chegou ao DVD. Só mesmo a blogosfesra pra me atentar a esta pequena pérola - no caso, comentários positivos de alguns colegas rede afora. De bobeira no Natal, peguei o tal filme. E que maravilha! Trama de amor, paixão, ciúme, cobiça, tudo girando em torno de cinco personagens desencontrados. Começa com o jovem interpretado por Josh Hartnett, mas logo a trama vai envolver a noiva dele, uma antiga paixão, o melhor amigo e uma mulher misteriosa.
A história em si é até batida. Tem elementos de Ligações perigosas e Fim de caso, por exemplo. O que torna o filme deliciosamente maquiavélico e interessante é a forma como o diretor Paul McGuigan cria o emaranhado de relações. Através de um roteiro razoavelmente complexo e elaborado, efeitos de câmera e mise-en-scène surpreendentes e criativos e boas interpretações de todo o elenco, a teia de relacionamentos nunca se banaliza. E por mais que os artifícios apenas joguem na cara o que já estava ali, McGuigan faz isso com tanta sinceridade e tamanho ardor que fica impossível não terminarmos o filme completamente envolvidos. Sem falar nas reviravoltas sentimentais: ninguém no filme é mau ou bom neste aspecto. Todos querem apenas estar com as pessoas amadas, ainda que para isso se obriguem a ultrapassar limites éticos ou simplesmente se deixarem levar pela atração.
Por vezes virtuosístico, mas sem pedantismo, McGuigan sabe usar os recursos de linguagem aos quais se propõe para nos transmitir as emoções do filme e dos personagens. E Maybe tomorrow, música que abre o filme, é linda e, ironicamente, dá total idéia do que deve acontecer aos protagonistas após os créditos finais...
O filme é remake do francês L'appartement, com o Vincent Cassel e a esplendorosa Monica Bellucci. Eu nem tinha ouvido falar desse trabalho e li que é inédito no Brasil. Obviamente fiquei curiosíssimo pra vê-lo. Alguém conhece?
Sábado, Dezembro 24, 2005
Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
Posted
01:41
by MARCELO MIRANDA
KING KONG
EUA - 2005
Direção: Peter Jackson
O que falar mais desse filmão que a grande e pequena imprensa, sites ou blogs já não estejam falando? Acho que nada. Então, fica o registro da grandiosidade desse projeto dos sonhos do neozelandês Peter Jackson. Aliás, quando o filme termina, pensei em algo que ele disse a respeito da trilogia O senhor dos anéis: que teria topado entrar no projeto de filmar a monumental obra literária de Tolkien porque seu grande interesse era mesmo realizar a última parte, O retorno do rei, e pra isso precisava passar pelas outras duas.
Acho que daria pra pensar algo semelhante quando se assiste à impressionante seqüência final deste King Kong. Parece que Jackson fez as anteriores duas horas e meia apenas para chegar a um dos clímaxes mais cheios de emoção do ano - e emoção não apenas no sentido da aventura que o filme é, mas de sentimentos mesmo. O embate final entre o gorila gigante e os aviões militares no alto do Empire State não é só a conclusão de um filme de ação. Possui significados muito maiores. É o fim de uma relação, o término forçado da história de amor que atingira, pouco antes, o ápice, representado pelas brincadeiras no gelo do Central Park. A inesperada paixão entre a jovem atriz e o monstro símio tem, naqueles momentos no ponto mais alto de Nova York, o seu trágico desfecho.
Acho que isso me chamou muito mais atenção que todo o resto. Claro, Peter Jackson se mostra um diretor de talento, seja para narrar boas histórias, criar climas, gerar carisma nos personagens, comandar cenas cheias de efeitos visuais. De qualquer forma, cansa um pouco boa parte do segundo ato do filme, com aquelas intermináveis perseguições de bichos e mais bichos ¿ sim, cada uma melhor que a outra, mas daria pra mostrar isso com uma ou duas a menos. Os momentos de maior interesse ficam por conta (não tem jeito) da interação entre Kong e sua amada, em momentos de grande singeleza e carinho. Quem poderia imaginar que isso pudesse existir num típico filme de monstro?
Ah, sobre a versão de 1933: gosto demais dela. Impossível não gostar, aliás. Mas obviamente Jackson a supera ao acrescentar o romance trágico inexistente na trama original (esqueça o malfadado projeto de 1976). Antes o amor era unilateral; agora, torna-se mútuo. Faz diferença, e muita.
Terça-feira, Dezembro 20, 2005
Posted
13:56
by MARCELO MIRANDA
EU E MANDERLAY NO CEARÁ
A convite da colega jornalista e blogueira Camila Vieira, escrevi uma resenha do filme Manderlay para o jornal cearense O POVO, onde ela trabalha. Fiquei muito orgulhoso pela lembrança e mais ainda por ser de um veículo impresso, minha grande paixão no jornalismo. Para quem não tem acesso ao jornal, podem ler na internet mesmo o texto integral .
Espero que seja o início de uma grande amizade...
Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
Posted
18:34
by MARCELO MIRANDA
OS MELHORES DOS ANOS 90
Em seu admirável e hercúleo trabalho blogueiro, o colega Chico Fireman inventariou com 43 escrevinhadores de cinema na internet e membros da Liga dos Blogues Cinematográficos uma lista com os melhores filmes lançados entre 1990 e 1999. Convocou todos a votarem em 20 títulos, pontuou e montou um ranking que, se discordante por natureza (já que cada um vai defender a própria lista), serve de excelente mosaico do que de mais interessante nos chegou às telas na década passada.
Confiram aqui a lista oficial. E abaixo, segue a minha própria relação, com a qual participei da votação - vale dizer que, obviamente, deixei muita coisa de fora, fosse por motivo de limitação quanto por puro esquecimento. Fica valendo a lembrança por estalo.
1) Os Imperdoáveis (93)
2) História Real (98)
3) Ondas do Destino (96)
4) Os Bons Companheiros (90)
5) Pulp Fiction (95)
6) Gosto de cereja (97)
7) Crash (96)
8) Como nascem os anjos (96)
9) O Silêncio dos Inocentes (91)
10) Lanternas Vermelhas (91)
11) Os Suspeitos (95)
12) Edward Mãos de Tesoura (90)
13) As Pontes de Madison (94)
14) Alma Corsária (1994)
15) Magnólia (99)
16) Estrada Perdida (97)
17) Fim de Caso (99)
18) O Sexto Sentido (99)
19) Um Mundo Perfeito (93)
20) A Ostra e o Vento (97)
Quarta-feira, Dezembro 14, 2005
Posted
01:43
by MARCELO MIRANDA
RETORNO E VIOLÊNCIA
E eis que das cinzas mais profundas ressurge este blogueiro irresponsável. Pois é, amigos e leitores, um turbilhão de acontecimentos mobilizou minha vida nos últimos dois meses e não teve jeito: o que tinha pouca prioridade ganhou prioridade zero - este blog incluso. Acho que, agora, as coisas estão finalmente entrando nos eixos. Assim, posso tentar recomeçar quase do zero esse trabalho que tanto me dá prazer e alegria: falar de cinema com colegas cinéfilos. E não poderia haver espaço melhor do que este aqui. Então, companheiros, espalhem aos quatro cantos que estou de volta. Se isso for uma boa notícia, por favor me entupam de comentários! :-)
Desde já adianto que as atualizações não serão tão freqüentes como já foram. O ritmo eu pego aos poucos novamente, até chegar no ápice. Vamos com calma que conseguimos! E pra iniciar, nada como falar de um dos grandes e melhores filmes do ano. Apesar do atraso, vale o comentário. Segue:
MARCAS DA VIOLÊNCIA
A history of violence (EUA - 2005)
Direção: David Cronenberg
Este novo filme do canadense David Cronenberg é, sob vários aspectos, um filme de aparências. O gênero aparenta ser um uma mistura de policial com suspense, mas é um faroeste urbano; o protagonista aparenta ser o típico e pacato pai de família trabalhador, mas pode ser um assassino impiedoso; a violência gráfica aparenta ser gratuita, mas serve de choque para "acordar" o espectador e mostrar o quanto aquele universo é povoado pelos piores pesadelos da vida cotidiana.
Marcas da violência, à primeira vista, nem parece um trabalho de Cronenberg. Apesar do prólogo já significativo, tudo começa muito calmo, sereno, quase "normal" para o diretor que já deu ao mundo obras como A mosca, Gêmeos - Mórbida semelhança e Scanners. O que há de Cronenberg aqui não está unicamente na imagem e no que ela provoca. Está nas complexidades do roteiro, no encadeamento da ação, na forma como as situações vão se desenvolvendo e atingindo níveis cada vez mais surpreendentes e impressionantes naquilo que o cineasta procura mostrar. Assim como Clint Eastwood, o canadense apresenta um filme de substantivos, jamais de adjetivos (para utilizar termos do crítico Ricardo Calil): não há julgamentos, não há a busca pelo entendimento pleno e nem por explicações simplistas. Há, sim, a exposição de uma situação-limite e as reações e atitudes dos envolvidos.
Ainda assim, diversas características que tornam Cronenberg autor de fato estão lá. A começar pelo foco no homem que tenta ser o que não é, luta contra a própria natureza e busca se modificar além da capacidade que ele mesmo se permite. Neste caso específico, temos o trabalhador pacato numa cidade do interior atrás de paz depois da vida regada a sangue e morte, agora tendo de enfrentar as conseqüências de sua verdadeira razão de existir. Também se sobressai no filme a sexualidade como forma de testar os limites do corpo ¿ tema explicitado por Cronenberg em Crash - Estranhos prazeres e sempre presente na sua obra. O casal protagonista de Marcas da violência (vivido intensamente por Viggo Mortensen e Maria Bello em grandes interpretações) parece usar o sexo como inserção na realidade: num primeiro momento, delicadeza e carinho; depois, após as revelações modificadoras da rotina, selvageria, dor e hematomas. E claro, há a predileção do diretor por vísceras e pedaços de corpos, em rápidas e poderosas cenas de morte.
Para montar todo esse emaranhado de detalhes, Cronenberg não apenas se utiliza do talento e capacidade em criar climas e tensão, mas também de um vasto referencial cinematográfico. Isso, desde a primeira cena, num motel de beira de estrada. A garotinha que surge de repente e se depara com a barbárie que vai selar seu destino remete de imediato ao assassinato de uma família no começo de Era uma vez no Oeste (1969), obra-prima do italiano Sergio Leone ¿ e nesse mesmo momento, Cronenberg deixa claro seu flerte com o faroeste. Outras aparentes e respeitáveis citações vão surgindo pelo caminho: o criminoso atrás de paz e redenção, como em Os imperdoáveis (1992), de Eastwood; o peso do passado atingindo o presente, como em grandes momentos de John Ford; o dia-a-dia aparentemente normal e comum que esconde a podridão do ser humano em suas formas mais vis, algo típico do cinema selvagem de Samuel Fuller nos anos 50 e 60; e até o diálogo com trabalhos recentes, como A vila, de M. Night Shyamalan, no que se refere ao objetivo frustrado de se fugir da violência.
Aliás, talvez esta seja a grande questão de Marcas da violência: a impossibilidade de se escapar do mal. Tom Stall, o protagonista, é adorado na pequena cidade, tem linda família, ama a esposa e se dá bem com os filhos. Nem mesmo esse bem sucedido american way of life é suficiente para se manter longe da morte, que parece persegui-lo: em questão de minutos, ele torna-se o herói da comunidade ao matar dois assaltantes. É o estopim para essa vidinha correta e fantasiosa desmoronar, e as verdadeiras faces virem à tona. A relação que se forma entre Tom, o pai de família, e Joey, o matador, remete à duplicidade abordada em outros filmes de Cronenberg, entre eles Spider e o citado Gêmeos, só que tratada de forma menos psicológica. O que causa a angústia de Tom Stall não é um transtorno mental. É pura e simplesmente sua malfadada tentativa de ser feliz longe daquilo que ele aprendeu a abominar ¿ a violência.
Certamente um dos filmes de maior maturidade de David Cronenberg, Marcas da violência se utiliza da narrativa clássica no intuito de atingir o maior número possível de receptores. Não é por menos que vem se dizendo ser este o trabalho mais "acessível" do cineasta. Seria o equivalente a História real, de David Lynch: um filme inserido no contexto temático e autoral de um gênio das telas fugindo levemente de sua linguagem mais conhecida e reverenciada, sem que para isso sejam sacrificados os pensamentos e idéias que norteiam os projetos realizados por ele. Lidamos com o bom e velho Cronenberg, mais em forma do que nunca e conseguindo, com a força de seu estilo, atingir mais e mais gente.
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