Impressões Cinéfilas

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006


O PERDIDO

Tem vezes em que fico tanto tempo afastado do blog que acabo criando a impressão de que nunca voltarei a ele. Fico mesmo triste, porque tenho grande carinho por esta página. Por ela conheci gente de grande sensibilidade, amizade e inteligência, e não quero perder isso. Só que este começo de ano está complicado: tô sem emprego, sem perspectivas do que fazer e tentando arrumar um lugar ao sol. Em vista disso, acaba desanimado de muita coisa - entre elas, minha atividade cultural favorita: ver filmes. Deveria ser o contrário: o ideal era aproveitar o ócio e me entupir de filmes. Mas sei lá o que acontece, não tenho conseguido um bom ritmo. O blog apenas reflete isso.

Desculpem a confissão, mas esse espaço também se tornou um lugar pra isso, né? Não vou abandonar a blogosfera de jeito nenhum. Vou me planejar melhor pra tentar voltar à ativa ainda essa semana. Torçam aí!

Sábado, Janeiro 14, 2006


FESTIVAL DE ATIBAIA - POST ATUALIZADO

Voltei da cidade de Atibaia, interior de SP, onde estive cobrindo o Festival Internacional do Audiovisual (leia post abaixo). Ficaria feliz se os leitores e amigos acompanhassem a cobertura que fiz no Digestivo Cultural. Dá pra acessar pela capa, na seção BLOG, que funciona como um "noticiário cultural" no site. Ou então vão pelos links aí embaixo. Adianto que tem comentários de diversos curtas premiadíssimos que foram exibidos no evento. Tá bem legal!

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Até depois.

Terça-feira, Janeiro 10, 2006


DE RECESSO AQUI, A TRABALHO EM ATIBAIA

Amigos, estarei de "recesso" deste blog nos próximos dias. O Digestivo Cultural me escalou para cobrir o Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, que acontece na cidade interiorana paulista de quinta-feira até domingo. Como está descrito no site oficial, "o evento tem um cunho retrospectivo, contemplando o público com os curtas-metragens ganhadores dos grandes Festivais de Cinema e Vídeo do Brasil no ano de 2005, e oferecendo aos seus realizadores a oportunidade de fechar este ciclo com Chave de Ouro".

Ficarei por lá o evento todo, enviando matérias ao Digestivo. Se conseguir, posto alguma coisa aqui, dependendo da estrutura de lá. Desejem-me sorte! Aproveito a oportunidade para agradecer imensamente à chuva de comentários e trocas de idéias que andaram por aqui nos últimos posts. Meu maior objetivo ao criar o blog há pouco mais de um ano foi tentar gerar debate, e morro de "inveja" (no bom sentido) de colegas com Ailton Monteiro, Marcelo Carrard , Marcos A. Felipe, Marcelo V. e tantos mais que são entupidos com comentários. Eu chego lá! Então, sigam visitando e escrevendo. É sempre um prazer interagir com quem ama o cinema como eu.

Até a volta!

Domingo, Janeiro 08, 2006


ENCURRALADO
Duel (EUA - 1971)
Direção: Steven Spielberg

Impressionante. Este filminho feito há quase 35 anos por um ainda novato Spielberg continua eficiente naquilo que se propõe: ser um exercício de 90 minutos de tensão e medo, um filme de terror em estrada aberta e sem grandes chances pro mocinho escapar. Filmada em locações ao longo de apenas 13 dias, a produção foi originalmente realizada para o canal ABC, onde foi exibida no Filme da Semana. A audiência foi tamanha que o filme foi vendido para o exterior e logo chegou aos cinemas - num processo curiosamente inverso ao que costuma ocorrer.

Ponto para Spielberg, este mago que hoje é o maior nome de Hollywood, autor controverso na sua ânsia pelo cinema comercial de efeitos visuais e grandes histórias a ser contadas. Ainda não era assim em Encurralado, trabalho pequeno, curto, barato, em que os mais simples recursos de linguagem, montagem, câmera, som e trilha sonora são utilizados para dar àqueles poucos minutos os mais altos graus de pânico. Nos excelentes documentários que acompanham a edição especial em DVD (dirigidos pelo sempre competente Laurent Bourenauz, responsável pelos filmetes da maioria dos discos lançados com a obra de Alfred Hitchcock), Spielberg explicita sobre o que é mais óbvio: a tentativa de tornar o caminhão que persegue o personagem de Dennis Weaver num monstro sem face, criatura surgida de lugar algum com o único propósito de infernizar a vida pacata do motorista - homem comum, pai de família e com problemas em casa (sim, desde então o diretor já tinha essa obsessão pela questão da família).

O caminhão é a coisa mais assombrosa do filme. Beira a expressividade plena, ganha contornos de assombro real e parece aumentado em tamanho pelas tomadas do cineasta. O filme não passa de uma grande batalha de um Davi contra um Golias - mas que batalha! Spielberg assume a influência de Hitchcock, desde a aceitação do roteiro de Richard Matheson até os instantes de criação no set, ao prender o máximo de informações possíveis para deixar o espectador perdido e com atenção plena. Momento dos mais marcantes é a cena da lanchonete: Weaver, num plano-seqüência, entra no recinto, pede para ir ao banheiro, lava o rosto, volta e, ao olhar pela janela, se depara com o caminhão, àquela altura já seu pior pesadelo. Em seguida, olha um por um dos presentes no local e especula sobre as reais intenções do caminhoneiro.

Aliás, a sacada mais genial de Encurralado é justamente nunca revelar o rosto do caminhoneiro. Ao focar toda a ação no motorista do carro, apenas expondo suas reações aos acontecimentos, Spielberg nos coloca na pele do protagonista, nos faz sofrer com ele, questionar com ele, se assustar com ele. Ao deixar no escuro quem, afinal, é responsável por tudo, e o porquê disso, o diretor manipula nossa atenção única e exclusivamente para como o personagem central vai escapar da situação apresentada. O algoz está ali, e precisa ser despistado ou detido. Novamente, traço autoral: o desconhecido, muitas vezes ameaçador, a ser enfrentado por gente comum, do cotidiano (Tubarão, ET, Contatos imediatos do terceiro grau, Parque dos dinossauros, Guerra dos mundos).

Eu só tinha visto o filme numa antiga madrugada da Globo, há uns bons anos. Mal lembrava de algumas cenas. Revendo hoje, fiquei encantado. Pensei em como Spielberg, ali, já deixava claro o talento que o acompanha, mas dentro de um esquema bem menor de produção, com menores pressões e, por vezes, mais criatividade. Dá alívio ouvi-lo, nos documentários, destilar total paixão e orgulho por este seu primeiro longa-metragem - chegando, inclusive, a admitir que foi Encurralado o propulsor de sua carreira. Digam o que disserem de Steven Spielberg, mas está aí um cara, no mínimo, honrado e justo.

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006


OS MELHORES DE 2005

Estamos na época das listas de filmes mais adorados do ano que passou. Avaliando as relações dos colegas blogueiros, a variação é enorme. Isso apenas mostra o quanto 2005 foi um belo ano para o cinema em geral, com trabalhos de peso e impacto vindos de diversos pontos do mundo - sendo o Brasil muito bem representado por obras altamente respeitáveis. Faço, então, aqui, a minha parte e publico a listagem daqueles que foram os filmes mais marcantes lançados este ano em circuito comercial. Alguns que provavelmente entrariam ficaram de fora, por conta da péssima distribuição brasileira que me privou de assisti-los - mas devo agradecer aos festivais dos quais participei e que me permitiram ver trabalhos posterioremente lançados (senão os títulos abaixo poderiam ser bem diferentes). Então, aos filmes:


1. Menina de Ouro, de Clint Eastwood

Esperança, culpa, vitória, derrota, redenção.


2. Marcas da Violência, de David Cronenberg

Passado, presente, futuro, sangue, compreensão, aceitação.


3. The Brown Bunny, de Vincent Gallo

Solidão, perda, dor, mais culpa.


4. Clean, de Olivier Assayas

Readequação, inadequação, amor.


5. Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes

Fuga, amizade, companheirismo, tolerância, seca.


6. Terra dos Mortos, de George Romero

Política, apocalipse, vísceras, imperialismo, revolução.


7. O Aviador, de Martin Scorsese

Marginalidade, pioneirismo, obsessão, grandiosidade.


8. Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach

Corrupção, segredo, dúvida, mais amor


9. Ninguém Pode Saber, de Hirokazu Kore-eda

Impotência, aceitação, mais readequação, mais solidão.


10. Manderlay, de Lars Von Trier

Intolerância, traição, mais política, mais revolução, mais imperialismo.


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